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Sunday, September 05, 2010

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PEDRO MONTEIRO CARDOSO

 

A MANDUCO... – Crónicas de Pedro Cardoso  

O trabalho, a sair brevemente pelo Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, cuja organização e notas são da autoria do antropólogo Brito-Semedo, consiste na edição em livro das crónicas do jornalista e político Pedro Monteiro Cardoso (Fogo, 1883-1942). Os textos, que datam dos inícios da República Portuguesa, são testemunhos eloquentes do papel desempenhado por este escritor e intelectual na luta pela dignidade dos filhos da terra e pela autonomia das Ilhas. A edição das crónicas de Pedro Cardoso representa o sacudir o pó do tempo acumulado sobre esses textos, restituindo-lhes um pouco do brilho de uma época rica e importante para a luta política em Cabo Verde.

A Manduco... são, pois, 33 crónicas de intervenção cívica e política publicadas em 37 números do jornal A Voz de Cabo Verde (Praia, 1911-1919), na secção homónima, onde, durante três anos (1911-1914), Pedro Cardoso, aliás, “Afro”, das ilhas de S. Nicolau, Boa Vista e S. Vicente, zurziu e alimentou polémica sobre os mais diversos assuntos, da arborização, da estiagem e da fome, ao analfabetismo e à instrução pública, passando pelas questões do Nativismo, da Raça Negra e da autonomia da província, sempre em defesa dos interesses dos filhos das ilhas. Recorde-se que, no campo da política e do jornalismo, Pedro Cardoso assumiu-se como socialista, melhor dito, comunista, tendo sido um ardente defensor do continente negro e da dignificação do homem africano, usando nos seus escritos o pseudónimo “Afro”.  Foi fundador, proprietário, director e editor do jornal O Manduco (Fogo, 1923-1924) e, juntamente com João Lopes (S. Nicolau, 1884-1979), foi responsável pelo jornal (socialista) Cabo Verde (S. Vicente, 1920-1921), tendo colaborado em vários outros jornais cabo-verdianos e portugueses.Pedro Cardoso tem ainda publicado os seguintes livros: Primícias (Lisboa, 1908); Caboverdeanas (Lisboa, 1915), Jardim das Hespérides (Vila Nova de Famalicão, 1926), Duas Canções (Lisboa, 1927); Algas e Corais (Vila Nova de Famalicão, 1928); Hespérides. Fragmentos de um poema perdido em triste e miserando, naufrágio (Vila Nova de Famalicão, 1930); Folclore Caboverdeano (Porto, 1933); Conferência no "Teatro Virgínia Vitorino" (Praia), em 30 de Dez. 1933 (Porto, 1934); Cadernos Luso-Caboverdianos. 3 volumes: (1) E mi que ê lha’r Fogo (Fogo, 1941), (2) Ritmos de Morna (Praia, 1942), (3) Sem Tom Nem Som (Praia, 1942); e Lírios e Cravos (Ermesinde, 1951). Por Decreto Presidencial N.º 3/95, de 2 de Fevereiro, Pedro Monteiro Cardoso foi agraciado, a título póstumo, com o Segundo Grau da Ordem do Dragoeiro. 

http://www.fogo.cv

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Last modified: 04/23/10