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A
tumultuada relação entre
Jorge
Santos, Carlos Veiga e Eurico Monteiro
Jornal
"A Semana" de 27 de Dezembro de 1993, pág. 3
"Veiga rasgou os estatutos do MPD" afirma Eurico Monteiro
"... houve violação dos estatutos do partido por parte do seu Presidente
ao fazer a remodelação governamental sem ouvir a opinião da Comissão
Politica Nacional do MPD."
"já que o Primeiro Ministro (Carlos Veiga) vem sendo conhecido como um
homem paradoxalmente frouxo, hesitante e sem coerência e, por outro
lado, um autoritarismo excessivo quando se trata de lidar com militantes
do Partido que põem em causa a sua politica e as suas posições."
Eurico Monteiro ao NJC de 5 de Novembro de 1994, pág. 9, 10 e 11
"O MPD não vai ser um adversário à altura do PCD"
"O Governo está numa roda com uma equipa absolutamente incompetente, que
não sabe o que fazer"
"NJC - Eurico Monteiro será o maior oponente de Carlos Veiga em 96?
... dizer que vou ser o grande adversário do Dr. Carlos Veiga pressupõe
que ele esteja de muito boa saúde política em 1996, mas eu creio que
estará numa posição muito enfraquecida e o seu partido politico nem tem
qualquer força moral para produzir um discurso político, nem num café,
nem no campo, nem na cidade."
"... é um partido que se assume como um partido-Estado, alimenta-se
completamente do Estado, vive do Estado, vive da comunicação social do
Estado, vive do medo dos funcionários e da chantagem que sobre eles é
feita constantemente, vive do dinheiro do Estado, vive sob a autoridade
do Estado e, portanto, aparentemente é um partido que se encontra em
situação cómoda. "
"NJC- o que é que falhou no seu entendimento com Carlos Veiga?
O endeusamento da pessoa"
Jornal "A Semana" 20 de Dezembro de 1993, pág 3
"Quem será o Primeiro-ministro"
Eurico Monteiro desafia Veiga para debate
"não queremos um presidente que esteja acima do partido. Porque quando
sucede isto significa que o presidente está a gerir mal o partido ao
conseguir cada vez mais votos para ele enquanto o partido vai tendo cada
vez menos apoiantes. "
Jornal "Correio Quinze" 6 de Janeiro de 1995, páginas 12 e 13
Artigo de Eurico Monteiro, Titulo Carlos Veiga: o discurso que
envergonhou o país
"Na véspera do ano novo a mensagem do Presidente do
MPD/Primeiro-ministro consistiu na diabolização da oposição; num insulto
aos partidos e demais forças políticas; numa linguagem arruaceira de um
homem desesperado.
Uma linguagem política primária que não dignifica as funções de um
Primeiro-ministro.
Carlos Veiga tem uma outra particularidade interessante: de fato e
gravata é Primeiro-ministro e convêm falar com alguma moderação e
demagogia; em mangas de camisa, é presidente do MPD e pode ser
virulento, arruaceiro e anti-democrata primário. De 4 de Julho a 31 de
Dezembro mudou de discurso e de política. De consenso para a guerra; de
tolerância para a caça; de integração para a marginalização.
... o Chefe do Governo já adquiriu o mau hábito de provocar
instabilidade permanente, de promover confrontações descabidas e
desmedidas, de incentivar a guerrilha institucional, de confundir a tudo
e a todos com discursos desencontrados; o mau hábito de cirrar os ânimos
e de criar um clima que inviabiliza os consensos necessários ao
desenvolvimento do país."
Jornal Correio Quinze de 20 de Janeiro de 1995
Artigo de Eurico Monteiro, Titulo "Preocupação ou mera retórica"; pág. 6
e 7
" O que se passa na comunicação social do Estado, com especial realce
para TNCV e RNCV é absolutamente inqualificável. As intervenções das
autoridades são repetidas até a exaustão e ao limite do absurdo.
A perseguição e marginalização possíveis num país onde vigora um regime
pluripartidário.
Os órgãos da comunicação social do Estado foram transformados, apesar de
serem financiados por todos os cidadãos, em autênticos boletins
informativos do Governo.
Quando o Chefe do Governo assume publicamente que temos uma
administração esbanjadora diz a pura verdade e preocupa-me o facto não
apenas de o sermos efectivamente mas também a realidade de o
Primeiro-ministro o ter afirmado. Porque afirma sem mais consequências.
Não nos diz que vai combater o esbanjamento, talvez porque sabemos que é
cúmplice da situação, chegando a fazer defesa apaixonada de situações
absolutamente intoleráveis."
Correio Quinze, de 20 de Janeiro de 1995
Artigo de Arnaldo Silva; titulo 1995: o ano de todas as manipulações
"o ano de 1995 vai ser o "ano-mãe" de todas as manipulações e controle
dos órgãos estatais da comunicação social.
Passarão a ser, clara e directamente, controlados a partir da Várzea.
Não interessa mais ao movimento que o povo oiça o que dizem os
deputados. Interessa sim que o povo saiba aquilo que interessa ao MPD
dizer. Manipulando o que se passou na AN.
As bases do MPD são, na essência, portadoras de uma cultura política
monolítica. Não conseguem distinguir o Partido do Estado. Aliás,
continuam a viver num Partido-Estado. O Estado é a jóia da coroa do MPD.
O 13 de Janeiro simboliza a democracia. Só é democrata quem estiver
inscrito no movimento.
É o país real que somos, da miséria agravada, do desemprego, da cólera,
da má nutrição, da prostituição e droga a alastrarem, da degradação
social, dos sem-abrigos, das crianças abandonadas ao sabor dos lixos dos
contentores, etc., deve ser silenciado. Porque só a oposição é que vê
estas coisas.
A estratégia é semelhante a utilizada pelo ministro da propaganda do
Hitler: repetir sempre, até que todos os cabo-verdianos passem a
acreditar que as mentiras são verdades. Irrefutáveis.
E tão imperiosa a derrota do movimento, em 1996, como era indispensável
a derrota do PAICV, em 1991."
Entrevista a Jorge Santos; Título "O MPD desviou-se dos princípios
nobres que nortearam a sua criação" pág. 12 e 13 do Jornal Correio
Quinze de 20 de Janeiro de 1995.
"Atendendo a conjuntura política nacional e as divergências e
contradições vividas pelo MPD aquando da sua terceira Convenção, decidi
sair do MPD. Penso que este partido desviou-se, e grandemente, dos
princípios nobres que nortearam a sua criação e forma de intervenção na
cena politica nacional. O MPD passou a ser um partido dotado de uma
postura revanchista e antidemocrática que põe em muitos casos os
interesses pessoais e de uma minoria partidária acima dos verdadeiros
interesses nacionais... não tem havido da parte do MPD um espírito de
consenso, dando provas de um total desrespeito pelos órgãos
democraticamente eleitos, numa clara tentativa de partidarização e
ingerência nas decisões tomadas
ao abrigo das competências que a lei confere aos órgãos municipais."
Artigo de Arnaldo Silva; Titulo "Um Estado sem moral não pode exigir
responsabilidades aos gestores públicos"; pág. 8 Jornal Correio Quinze
de 3 de Fevereiro de 1995
"Neste país, que foi deserto até 1991 e um oásis maravilhosos a partir
dessa data, não se conhece casos de responsabilização civil de qualquer
gestor.
O Estado que temos não tem moral para exigir aos gestores qualquer
espécie de responsabilidade. Mesmo que tenha havido a mais grosseira
negligência.
Se um Estado recusa que os seus políticos sejam responsabilizados
financeiramente, por desrespeito da legalidade instituída. Se o mesmo
Estado recusa a responsabilização criminal dos agentes políticos,
estando patente, o exemplo que foi dado a Nação, pelos senhores
deputados, ao chumbarem a lei sobre o crime de responsabilidade, fazendo
as pessoas sérias e honestas desinteressarem-se da politica. Pois, um
Estado que não aceita uma lei de responsabilidade e de impedimentos
transmite a ideia de que os políticos não passam de uma cambada de
canalhas! Se um Estado é esbanjador e cultiva a falta de rigor e
transparência na gestão da coisa pública, este Estado é, na sua
essência, imoral."
Jornal
Correio Quinze, de 18 de Agosto de 1995; Titulo "Eurico Monteiro traça
quadro negro da governação do MPD"
"Eurico Monteiro acusou o partido no poder de manipular a comunicação
social e a politica, esbanjar as finanças do estado, degradar a imagem
externa de Cabo Verde como país sério e credível.
Para Eurico Monteiro, "o governo deveria reconhecer a sua incompetência
em relação ao controlo da situação da cólera que afectou já mais de seis
mil pessoas e com mais de centena e meia de mortos, e solicitar a ajuda
internacional, como forma de evitar mais lutos nas famílias
cabo-verdianas.""
Artigo de Eurico Monteiro, Titulo "Democracia de trazer por casa";
Jornal Correio Quinze de 1 de Setembro de 1995
"Existe uma grande vontade política de incendiar o Jornal "A Semana", de
estrangular o "Correio Quinze", de espancar e prender os deputados
incómodos, de estilhaçar os partidos políticos da oposição (por isso não
tem tempo de antena, não tem subsídios), existe uma vontade política
enorme de sufocar e eliminar os "regressivos", sejam cidadãos
independentes ou adversários políticos assumidos, e tudo vale neste
reino pretensamente democrático "
fonte: bravanews.com
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