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Ao
Presidente do MpD
Aos Membros
da Comissão Política do MpD
Alguns sinais preocupantes, incompatíveis com a
natureza e os objectivos consagrados nos principais instrumentos que
regulam as actividades do MPD, estão a ser observados no seio do
Partido, cujas consequências, caso essas manifestações não forem
convenientemente tratadas, poderão provocar graves e imprevisíveis
problemas.
Esses aludidos sinais, tem-se manifestado,
dentro do partido, sob forma de falta de transparência em alguns
processos, na perseguição política de alguns militantes, na ausência de
democracia no partido, na negação de direitos de participação e de
informação de alguns militantes, no aproveitamento descarado, por alguns
dos meios do Estado para os colocar ao seu serviço, na gestão pouco
ortodoxo do processo de escolha de candidatos para encabeçarem as listas
do partido nos diferentes concelhos, no esvaziamento ou inutilização de
alguns órgãos do MPD, etc, etc.
De uma maneira geral, o partido tem sido sujeito
a um estilo de gestão eminentemente administrativa. Ha muito tempo que
os órgãos do partido deixaram de fazer analise da situação política, de
deliberar e dar orientações aos outros elementos do sistema, de ser
centro de produção e debates de ideias e de ser o municiador da visão e
estratégias políticas de desenvolvimento económico e social do pais.
O ambiente no interior do partido esta longe de
ser saudável, e a ausência de confiança, provocada pela <falta de
palavra> de alguns dirigentes, em questões e em momentos fundamentais,
contribuíram grandemente para a sua existência e o seu reforço.
Constata-se um acumular de erros na gestão
política de alguns dossiers; na promoção de secretismo na administração
de informação de alguns processos; na existência e no fechar de olhos as
situações manifestamente contrarias aos nossos princípios e valores; na
promoção do amiguismo como base de construção de solidariedade
partidária, em vez da sua solidificação em torno de convicções; no
fomento de alinhamento político no interior do partido na base de
distribuição de cargos e no financiamento de projectos as associações
comunitárias expressamente criadas para o efeito; na compra ou corrupção
de vontades, através da instrumentalização do emprego publico, de
distribuição de apoios aos pobres, etc, etc.
Por outro lado a situação, em vez de dar sinais
de inflexão, esta a revelar claros indícios de deterioração. Alias, o
que se passou em Santa Catarina e, a todos os títulos, paradigmático de
como não se pratica democracia dentro do MPD, e de como estamos a trair
gravemente, na maior tranquilidade, os princípios e valores que
norteiam(deveriam orientar) o partido.
Um processo que põe em causa a natureza
democrática do partido e que briga frontalmente com os princípios da
transparência, da igualdade de oportunidades, do direito a informação e
a participação dos militantes nas actividades desenvolvidas pelo MPD.
Um processo que envergonha todos quantos, em
1990, acreditaram na mudança e trabalharam a favor da instauração da
democracia e do pluralismo; do direito a diferença e da promoção da
tolerância política; da liberdade de pensamento e de expressão; do
respeito pela dignidade humana e pela não exploração, em proveito
próprio, da fragilidade económica das pessoas carentes; e do livre
exercício de cidadania e dos direitos fundamentais.
Em Santa Catarina, os factos falam por si, e
eles aqui estão para fazer historia, e esperemos que eles sejam
circunscritos a essa região e a esse malfadado processo.
Assim:
a)
A 29 de
Junho de 1999 foi nomeado uma Comissão Provisória, para, nos termos
estatutários; organizar o competente processo eleitoral. Ate aqui, tudo
normal. A anormalidade surge quando a entidade designada para preparar o
processo eleitoral (todos os seus seis integrantes), de quem se espera e
se esperava a maior isenção e tratamento igualitário entre as diferentes
candidaturas, se transforma, ela própria, em concorrente, desempenhando
simultaneamente as funções de organizadora do processo eleitoral e de
promotora de eleição de delegados a favor da sua própria candidatura.
A
partida parece evidente que o espirito do dispositivo estatutários não
vai no sentido que a dinâmica do processo acabou por infelizmente
determinar: a falta de isenção e de transparência.
b)Todavia, já em carta de 17 de Abril do corrente ano, um grupo de
militantes, da região política de Santa Catarina, exigia entre outras
coisas que:
1. fosse
fixado o período para a realização ou actualização do recenseamento:
2. fosse
estabelecido o prazo para a Consulta e apresentação de eventuais
Reclamações dos cadernos eleitorais:
3. fosse
divulgado um cronograma de Eleições de delegados, com antecedencia de 15
dias para o efeito do cumprimento do dispositivo regulamentar esta
belecido no seu artigo 20.
C) Em carta datada de 15/7/99 e de 30/7/99,
dirigidas ao Conselho de Jurisdição, e supomos tratar-se de respostas da
Comissão Provisória, as questões suscitadas a Comissão Executiva
Regional(que se encontrava fora de prazo estatutário), pelo referido
grupo de militantes, aquela Comissão vem responder algo que não tinha a
ver com ela, uma vez que, como entidade com existência estatutária, ela
só começou a vigorar a partir de 29 de Junho de 1999. E visível uma
grande mistura de actos e procedimentos, esquecendo-se a Comissão
Provisória que a aprovação do Cronograma, antecede tudo e condiciona
tudo, inclusive o recenseamento.
d) A 21 de Junho do corrente ano, em carta
dirigida ao Conselho de Jurisdição do MPD, o grupo de militantes da
região de Santa Catarina lamentava o facto de apesar de todas as
diligencias desenvolvidas, não lhe foi, ate aquela altura, facultado
nada daquilo que tinha solicitado, no âmbito dos direitos que lhes
assistem como membros do partido, garantidos pelo estatuto e regulamento
eleitoral do MPD, designadamente o acesso ao cronograma eleitoral e a
relação nominal dos militantes por núcleos, a determinação do local onde
seriam fixados os cadernos eleitorais, uma vez que a sede do partido em
Santa Catarina não funciona. O referido grupo de militantes, em vez de
receber os dados solicitados, apenas, na realidade, foram-lhe fornecidos
o numero, e não os nomes de militantes, a relação dos coordenadores de
núcleos e o numero de núcleos existentes;
e) O Conselho de Jurisdição em carta datada de 3
de Agosto de 1999, respondia aos questionamentos colocados pelo grupo de
militantes de Santa Catarina, encabeçado pelo Sr. José Manuel Varela, na
qual esse órgão jurisdicional do partido reconhecia como legitima a
pretensão desses militantes no tocante ao direito de participação e de
informação.
A carta do
Conselho de Jurisdição dizia e citamos:
... ...
<<2 –
Qualquer militante do MPD, em qualquer região, deve ter acesso ao
cronograma eleitoral, logo que homologado, e as comissões executivas ou
órgãos equiparareis, em mateira de organização dos processos eleitorais
regionais, devem, são obrigas a divulgar os cronogramas eleitorais já
aprovados, no seio dos militantes das respectivas regiões.
3 – O não
cumprimento dessa obrigação constitui violação do direito a informação,
do principio da igualdade de oportunidades, com forte consagração
estatutária, regulamentar, legal e constitucional.
14 – Os
cadernos de recenseamento, regionais ou dos núcleos, devem se afixados
na sede regional e/ou local do MPD ou, por outras formas, publicitadas,
no seio(apenas) dos militantes de MPD nessa região. A Comissão
Provisória deve, e obrigada a fazer isso>>.
f) Apesar
dessa jurisprudência do Conselho de Jurisdição, a situação manteve-se
inalterável. A Comissão Provisória, também candidata rival, sempre se
esquivou, se recusou a andar conforme o estatuto e regulamento,
preferindo, antes, esconder o jogo, afastar e tirar quaisquer
possibilidades as outras candidaturas concorrentes, de se informarem, de
apresentarem em pé de igualdade, as eleições.
A Comissão
Provisória transgrediu e pôs ostensivamente em causa os princípios e
fundamentos da democracia que são valores iminentes do partido.
g) Em carta
datada de 25 de Agosto do corrente ano, dirigida ao Secretario Executivo
do MPD e a Comissão Provisória, o grupo de militantes de Santa Catarina
voltava a reclamar da necessidade e do direito que lhe assistia e lhe
assiste de ter acesso ao cronograma e aos respectivos cadernos
eleitorais. Ao mesmo tempo, e uma vez que o grupo teve conhecimento que
as eleições de delegados já se tinham iniciado de forma irregular e
ilegal, solicitou, também aquelas entidades, a suspensão imediata do
processo.
Esses
militantes obtiveram infelizmente como resposta: mais um absoluto e
tranquilo silencio.
h) Contra
tudo o que seria razoavelmente de esperar, o processo continuou a
desenrolar-se, com a Comissão Provisória, também, na qualidade de lista
candidata, a eleger sozinha, quando e como queria, qual partido
único(!), os seus delegados, arregimentando, ao mesmo tempo,
praticamente todos todos os delegados eleitos no sentido de subscreveram
a sua candidatura, numa clara tentativa de eliminar, a partida, o
aparecimento de qualquer disputa concorrente, e, em consequência, banir
qualquer disputa democrática.
i) Os
mesmos militantes de Santa Catarina, cientes da intenção deliberada de
os marginalizar e de os colocar fora do processo eleitoral, insistiram,
através de cartas datadas de 31 de Agosto e de 14 de Setembro, do
corrente ano, dirigidas quer ao Conselho de Jurisdição quer ao
Coordenado da Comissão Provisória, onde pediam informações sobre a
eventual decisão tomada relativamente a sua correspondência de 25 de
Agosto, que solicitava a suspensão imediata do processo, a par da
exigência de esclarecimentos quanto a data, hora e local da realização
de Assembleia Regional, bem como a relação, contendo nomes de todos os
delegados a referida assembleia.
j) Como
habitualmente, e para não variar, a atitude da entidade organizadora do
processo eleitoral foi no sentido de recusar de forma continuada e
obsessiva o direito desses militantes a informação e a participação,
mantendo-se tranquilamente na sua posição antidemocrática de não
responder a qualquer solicitação desses membros do partido.
Alias o
comportamento dessa Comissão Provisória enquadra-se perfeitamente no
âmbito da constatação feita pelo Conselho de Jurisdição de 3 de Agosto,
passado, que dizia, e citamos: < 12 – E o sistema do MPD, ate ao
momento, bom, ou mau. Talvez mais mau do que bom, porque não promove a
isenção e a transparência na organização de eleições, no concurso a
posições de poder partidário>.
De facto só
por ingenuidade ou só por um absurdo paradoxo, se pode exigir a uma
Comissão Provisória, encarregada de organizar o processo eleitoral, mas
em que ala e, também, concorrente, rogando-lhe que seja isenta,
imparcial e transparente na condução do mesmo processo, em que
inequivocamente ela e a principal concorrente e a maior interessada em
ganhar as próprias eleições.
A Comissão
Provisória foi, sem duvida alguma <<juiz em causa própria>>.
Como e
possível haver igualdade de oportunidade se:
A Comissão
Provisória
Grupo de Militantes
(Lista
A)
(Lista B)
Tem na sua
posse: Não tem na sua posse:
Cronograma
eleitoral Cronograma eleitoral
Caderno de
recenseamento Caderno de recenseamento
Calendário
de eleições de deleg. Calendário de eleições de deleg.
Lista de
delegados Lista de delegados
E, desta
forma, se realiza e se pratica a democracia actualmente no MPD, estando
Santa Catarina a cabeça.
Situação
destas clamam, meus senhores, pela intervenção do Tribunal da Verdade,
em nome da justiça e da Ética, do orgulho e da honra, desta e da futura
geração de militantes do MPD.
Assim
verdade manda dizer que:
·
O processo
de Santa Catarina, pela extensão e gravidade de ilegalidades praticadas
envergonha a democracia cabo-verdiana;
·
O processo
de Santa Catarina, pela negação reiterada do exercício de direitos dos
membros do partido, envergonha a democracia interna no interior do MPD;
·
O caso de
Santa Catarina, pela pratica de ocultação metódica, representa uma
manipulação fraudulenta da vontade real dos militantes do Concelho;
·
O caso de
Santa Catarina viola a lei dos partidos políticos, os artigos 16, 17 e
20, designadamente as exigências no concernente ao funcionamento
democrático e ao direito de participação dos membros nas actividades do
partido;
·
O processo
de Santa Catarina viola gravemente o estatuto do MPD nomeadamente o
artigo 13 e as alíneas a) e) e f) do artigo 14.
·
O caso de
Santa Catarina viola o espirito do artigo 37 que apenas confere a
Comissão Provisória a competência para organizar o processo eleitoral.
Aceitar que a Comissão Provisória, todos os seus membros integrantes,
sejam também membros de uma lista, significa, tão só, escolher entre
varias listas, uma, que seria simultaneamente organizadora e concorrente
contra as outras. Significa que a transparência, a isenção, a
imparcialidade e a igualdade de oportunidades estão em causa, valores
altamente salvaguardados nos principais instrumentos que regem a vida do
MPD.
Por isso:
·
O processo
de Santa Catarina não pode passar em branco nem tão pouco esquecido;
·
Foi e é um
processo exemplar de como o partido se encontra mergulhado numa profunda
crise de valores;
·
Foi e é
também um caso que importa reflectir de como facilmente se pode passar
da democracia para o deslocamento e a concentração ilegítimos do poder e
de como se pode passar da seriedade para o tudo vale.
Assim
sendo:
·
E preciso
que o processo de Santa Catarina seja política e juridicamente
condenado;
·
E preciso
de forma urgente repor a legalidade e instruir a pratica e o
funcionamento democráticos nas estruturas do partido nesse Concelho;
·
E preciso,
com a maior urgência possível, organizar eleições na liberdade,
transparência e participação garantida a todos os membros do partido, no
Concelho de Santa Catarina, e já agora, em Porto Novo e na Brava.
Porem e
infelizmente:
Os problemas que enfrentamos não se referem
apenas a gestão antidemocrática do processo eleitoral, em alguns
Concelhos, com destaque para o de Santa Catarina. Também, a nível do
aparelho de Estado, ha sinais de deterioração em alguns aspectos.
Constata-se alguma perplexidade a degradação da
imagem e autoridade do Estado, reduzida em comportamento inadequado de
certos membros do governo que se deslocam ao exterior, em serviço do
Estado, que dispensam os serviços que representam o Estado nesses
países, para, como representantes do governo, saírem com estranhos, para
lugares desconhecidos, em nome de não se sabe que razão de Estado, e
chegarem a compromissos oficiais com horas de tarso e de taxi. E o nome
e a boas imagem de Estado de Cabo Verde que estão em causa, créditos
granjeados por toda uma Nação, que não podem estar a ser desbaratados e
esbanjados, por razoes particulares que nenhuma ideia por mais Certa que
seja pode justificar.
Acompanha-se com alguma tristeza o espectáculo
pouco digno a volta da Comunicação Social, em que se premeia os
Administradores esbanjadores e sem mínimo de capacidade técnica, em
detrimento de outros que primam pela seriedade, pelo rigor e pela
protecção do interesse publico. Parece que se pretende fazer escola com
um determinado estilo de conduta em que de forma impune e alegre se vai
<<assassinando>> as chefias e promovendo a instabilidade em nome de
desígnios que não lembram ao diabo, o pior diabo que se possa imaginar,
tecer.
E assim, vão passando as administrações e os
administradores.
Ha também o sentimento que todos ou ninguém
manda ou que ha uns que mandam exageradamente mais que outros. E, quando
não ha desorientação, como a espelhada naquele comunicado do governo
divulgado na altura de demissão de um coordenador do projecto de
privatização, ha cenas hilariantes como as daquele membro do governo que
se desloca a Brava, e faz tudo, o impossível, para apoiar um determinado
candidato a presidente de Câmara Municipal, atribuindo-lhe, quase sem
pestanejar, a responsabilidade pela aquisição do mais recente barco; só
faltou dizer, aos bravenses, que o candidato a presidente da Câmara
comprou o barco com o dinheiro do seu bolso. Tudo isto, num esforço
enorme de prestar serviço a favor do Senhor que lhe declarou apoio a um
cargo partidário.
Por outro lado:
O lançamento de primeiras pedras e as
inaugurações nunca foram tão concentradas numa única pessoa, como agora,
desde a independência. Fica-se com o sentimento que os ministros, salvo
raras excepções, não se sentem suficientemente importantes, para, eles
próprios, como governantes, lançarem as pedras ou inaugurarem os
empreendimentos públicos. E não ha distinção entre grandes, médios e
pequenos empreendimentos: tudo e entregue a um inaugurador de serviço.
Os ministros sectoriais, salvo raras excepções, foram amplamente
limitados, senão mesmo, significativamente tornados dependentes, face a
esse governante: deixaram de ser responsáveis pela condução política do
seu sector.
Nunca em Cabo Verde, mesmo no tempo do sistema
de partido único, se encontrou, num só homem, tanto poder como hoje
verificamos na estrutura do governo. Através da criação de uma
administração paralela e de luxo(PARE), integrada por gente muita bem
paga para fazer aparentemente a coordenação, muitas vezes em conflito
com os sectores, ofereceu-se de bandeja todos os cordelinhos da gesta do
pais a um homem, enquanto a administração publica, cada vez mais
indigente, menos qualificada e despovoada de quadros mais capazes,
vegeta a procura de melhores dias.
Tudo, meus senhores, depende desse homem:
·
Agua e
energia;
·
Saneamento
Básico e Infra-estruturas;
·
Privatizações(através da privatização gere processos ligados a hotéis,
banca, seguros, portos, transportes marítimos e aéreos,
telecomunicações, etc.)
·
Reforma do
sector publico administrativo;
·
Capacitação
do sector privado;
·
Turismo e
Investimento Externo (Promex);
·
Industria,
promoção industrial (IADE);
·
Luta Contra
a Pobreza (PNLP);
·
Relações
com Instituições Financeiras Internacionais (Banco Mundial e FMI);
·
Coordenador
Nacional do FED (União Europeia);
·
Inauguração
das obras do Governo;
·
Lançamento
de primeira pedra dos empreendimentos do Governo;
·
Controle
efectivo do programa de emergência e gestão distribuição de todos os
recursos financeiros do Estado ou mobilizados pelo Estado;
·
Inauguração
de obras municipais, e não só, quer sejam latrinas, placas desportivas,
escolas, jardins, matadouros, electrificação, trocos de estradas,
telemóveis, polidesportivos, reservatórios de agua, centros sociais,
centros de formação, tudo, tudo, tudo... e os ministros sectoriais ficam
a ver navios.
E que tempo
ou espaço lhe resta para a propalada coordenação estratégica?
Sem
duvida:
Isto tudo constitui apenas uma pequena
amostragem. Ha na realidade muitos mais poderes, só visíveis atrevais de
uma leitura muito mais atenta da gestão do poder no pais.
E preciso que nos todos, no MPD, tomemos
consciência do monstro e da monstruosidade que consciente ou
inconscientemente estamos a criar e a desenvolver sob pena de perdermos
controle sobre a <<própria criatura>>.
E preciso dizer, sem receio, e com clareza, que
o concentracionismo decisional e inibidor da assunção de
responsabilidade, e que e, sem duvida, gerador de quebras de
solidariedade por dispensa de envolvimento de pessoas nos processos de
formação da vontade do colectivo organizacional.
E preciso, finalmente, termos a consciência que
o caminho que estamos percorrer e perigoso. E perigoso e mau do ponto de
vista de desenvolvimento organizacional. E péssimo e perigosissimo do
ponto de vista de estratégia de favorecimento de alguém para liderar o
MPD.
O aviso esta feito!
E, para alem disso:
A nomeação ultimamente de algumas figuras para
exercer altos cargos na Administração deixam transparecer sintomas
preocupastes de falta de critérios, quando não, a confissão inequívoca
de esgotamento de soluções ou carência de visão estratégica, para não
chamar a isso, de pura confusão de planos.
Por outro lado, verifica-se a tentativa de
intimidação e perseguição de alguns membros do MPD, através de acções de
transferencia <<cirúrgicas>>, de demissões com justificação duvidosa, de
levantamento de processos disciplinares, na base alinhamento as
candidaturas em disputa de liderança. Tudo isso ocorre a luz do dia, a
coberto do discurso de mais e melhor democracia.
Um caso exemplar de perseguição e que merece a
nossa atenção e o que aconteceu ou esta a acontecer a um condutor e a um
enfermeiro em Santa Cruz. Não porque o facto em si não merece
averiguação e eventual procedimento disciplinar. Pelos dados existentes
ha razoes atendiveis e justificativas para, de alguma forma, jogar a
favor de absolvição dos visados. Todavia, o que indigna e revela a
pequenez de algumas pessoas, e o facto do processo ter sido despoletado
pela mais alta figura do governo, sob pressão dos fundamentalistas
intriguistas, convencido que os visados estavam a fazer campanha a favor
de uma determinada candidatura, pretendendo, o governante, com este
gesto aparentemente transmitir a ideia de rigor, a coberto de desejo de
pura vingança.
E já agora, e porque ha tanta vontade de
imprimir rigor e porque e de uso de viaturas que se trata, vão algumas
sugestões:
a)
que se
levante processo disciplinar a todos os que já partiram, só este ano, as
viaturas do Estado;
b)
que se
levante processo disciplinar a todos os que andam ilegalmente a fazer
uso pessoal de viaturas de Estado;
c)
que
levantem processo disciplinar a todos que levam as viaturas do Estado
para as boites;
d)
que
levantem processo disciplinar aqueles que andam a fazer campanha nas
viaturas do Estado em diferentes Concelhos;
e)
que se
solicite devolução do dinheiro do Estado que e gasto em almocaradas e
jantaradas, sobretudo com as Comissões Executivas que se pretende
conquistar.
Ou se
faz tudo isso, e se leva a serio o rigor, ou então que deixem as
pessoas, os coitados, em paz.
Finalmente:
Nao e
segredo para ninguém que ha uma nítida instrumentalização dos programas
de emergência e de luta contra a pobreza por parte de uma determinada
candidatura e presidente de Câmaras Municipais a ela afecta.
Ha uma evidente e indevida utilização de meios
públicos, traduzidas: na discriminação das pessoas, em termos de emprego
publico, em função do seu alinhamento político, (ha deputados que não
tem nada a ver com as Câmaras Municipais e que transformaram as suas
casas em centros de emprego); na distribuição de cimento e outros
materiais de construção, as pessoas, militantes, carenciados, nos que
antecedem actos eleitorais; no financiamento de micro-projectos, em
função de comprometimento de apoio político, cujo crivo de um
conselheiro num gabinete de alto stand, e decisivo pa5ra sua eleição; na
utilização de viaturas do programa de luta contra a pobreza, em
determinados Concelhos, como principal instrumento logístico de campanha
de uma determinada candidatura; na criação e instrumentalização de
associações comunitárias, forjando a sua dependência e submissão,
através do dinheiro condicionado que lhes e concedido, no quadro da
constituição de clientilismo a favor de uma certa candidatura.
Deste modo meus senhores:
Ou se para com tudo isto, e neguem e ingénuo
nessa mateira, optemos pelo caminho de seriedade, verdade, transparência
e respeito pelos princípios e valores do partido;
Ou, então, caminhemos na desonestidade, na
inverdade e na confusão em que nos encontremos, na certeza, que a
chegada ao caos e apenas uma questão de tempo.
Porem, responsavelmente acreditamos que a
regeneração do partido e possível, razão pela qual nos batemos e pela
qual continuaremos firmemente decididos e empenhados em manter bem alto,
as bandeiras que erguemos em 1990, em nome da democracia, da liberdade,
do rigor, da transparência, da justiça e da solidariedade.
Alias, e o único caminho que temos de seguir
para que possamos salvar o MPD do colapso.
Assina:
Jacinto Abreu dos Santos
António do Espirito Santo Fonseca
C/C Membros
do Conselho de Jurisdição
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