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A Cidade Velha
O berço da nossa
Nacionalidade
Cidade Velha é o berço da
cabo-verdianidade. É também a toponímia do que foi a antiga Cidade da Ribeira
Grande, que foi capital do arquipélago de Cabo Verde durante alguns séculos. Foi
a primeira Cidade que os portugueses tiveram em África, na sua aventura dos
descobrimentos. Daí ser uma referência obrigatória no contexto histórico das
ilhas de Cabo Verde. Dela restam apenas as ruínas debruçadas tristemente sobre o
eterno mar azul do arquipélago e dormem sob o peso dos anos do momento
esquecimento dos homens.
É na Cidade Velha que nasceu o Homem crioulo. Foi o ponto de
encontro dos primeiros europeus e negros da costa de África trazidos para o
povoamento dessas ilhas. Do cruzamento destas duas raças distintas originou uma
população mestiça. À miscigenação que se traduz não só no aspecto físico, mas
também no aspecto cultural.
A evolução do dialecto crioulo, com diferenças de uma ilha para outra. onde as
variantes fonéticas provêm de muitas línguas africanas, fica a dever-se a
miscegenação atrás referida. A antiga cidade da Ribeira Grande teve ainda um
papel perponderante no apoio à expansão portuguesa e no desenvolvimento do
comércio e de navegação de longo curso. Cidade Velha foi ainda a primeira
capital eclesiástica e civil em Cabo Verde. 1462, foi erigida na Ribeira Grande
a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, o que leva a concluir que por essa
época já havia sacerdotes em Cabo Verde.
Situada a escassos 12 quilómetros da actual capital cabo-verdiana. o
berço da cabo-verdianidade é hoje um ponto turístico por excelência. Os seus
monumentos históricos fazem dela um lugar aprazível principalmente para aqueles
que se interessam pela história de um povo. surgido de cruzamento de várias
raças.
A sua Sê Catedral, a primeira que os portugueses eregiram no
continente negro, encontra-se hoje em ruínas. Todavia, o pouco que ainda sobra
está a ser preservado a fim de evitar que desapareçam referências importantes de
Cabo Verde, e em par- ticular de Santiago, ilha-mãe da cultura cabo-verdiana.
antiga Devido à sua posição geoestratégica, a meio caminho entre o continente
africano, a Europa, as Américas e o Oriente, cedo o arquipélago cabo-verdiano
foi chamado a desempenhar um papel de placa giratória no quadro das trocas
comerciais no tráfico negreiro e no aprovisionamento dos navios em frescos e
água. Estes factores contribuíram para que Ribeira Grande se transformasse
rapidamente num centro comercial de certa projecção e daí, em 1533, ter sido
erigida em Cidade. Todavia, Ribeira Grande teve um ciclo de vida relativamente
curto. A sua decadência processa-se em ritmo acelerado, principalmente a partir
do em perdeu definitivamente a sua posição como entreposto de escravos, que eram
levados para as plantações nas Américas.
Por outro lado, os constantes ataques levados a cabo por navios
piratas contribuíram para arruinar a antiga capital cabo-verdiana. Desses
ataques, o mais famoso foi o do corsário Drake. Também por causa dos pântanos
que se formavam junto às praias na estação pluviosa, o que tornava Ribeira
Grande vulnerável às doenças, e o facto de o seu porto ser muito desabrigado,
fizeram com que os navegadores passassem a preferir o Porto da Praia de Santa
Maria, que dista apenas seis milhas da então capital cabo-verdiana.
Por isso, a 13 de Dezembro de 1769 a sede do governo é transferida
para vila da Praia, que em 1858 foi elevada à categoria de Cidade. Consumava-se,
assim, definitivamente a ruína da Cidade Velha.
Pelo porto da Ribeira Grande e
outros de Cabo Verde passaram alguns navegadores célebres. Entre estes
destacam-se Vasco da Gama, Cristóvão Colombo, Pedro Alvares Cabral e Sebastíam
Dei Cano. Vasco da Gama aportou Cidade da Ribeira Grande, quando se encontrava
na descoberta do caminho marítimo para a Índia.
A fortaleza de S. Filipe, um dos grandes monumentos históricos da Cidade da
Ribeira Grande é o testemunho da presença portuguesa nessas ilhas. Foi
construída após o ataque de Drake. em 1585. A Cidade era guarnecida a partir
desse forte, cuja construção teria sido iniciada em 1593.
Um outro monumento histórico que o visitante pode observar na Cidade
da Ribeira Grande é o pelourinho erguido há alguns séculos no largo da cidade.
Aqui eram açoitados os escravos. E a memória mais viva da época esclavagista em
Cabo Verde.
Segundo alguns historiadores, a Ribeira Grande nunca teve o desenvolvimento
correspondente à categoria de Cidade. No entanto, por conveniência, o rei D.
João III resolveu propor a criação da Diocese de Cabo Verde. O objectivo era
facilitar a ordenação de sacerdotes nativos como também para melhor se coordenar
a tarefa da evangilização da costa africana, de onde chegaram muitos homens
livres para se cristianizarem.
A igreja de Nossa Senhora do Rosário, hoje um património histórico,
teria sido construída or volta de 1495. É um dos mais antigos templos da ilha de
Santiago e de Cabo Verde.
Nessa Igreja pregou o Padre António Vieira, em 1652, de passagem
para Brasil, vindo de Portugal. Na altura, o que mais surpreendeu ao grande
orador português foi o facto de ter encontrado clérigos e cónegos dotados de uma
sabedoria, que segundo ele próprio, faziam inveja aos melhores do Reino.
Quatro de Maio de 1712 marcou o afundamento irreversível da Cidade
Velha. Foi nesse dia que Ribeira Grande é atacada e pilhada por piratas
franceses, comandados por Jacques Cassard. O saque foi avaliado em três milhões
de libras estrelinhas.
Depois desse ataque tudo começou a entrar em decadência. Paulatinamente Cidade
Velha ia perdendo a sua influência e mais tarde abandonada.
Era aqui que há cinco séculos começava a história da
cabo-verdianidade.
Bibliografias consultadas: Carreira
António - Cabo Verde, Formação e Extinção de uma Sociedade Escravocrata -
1460-1878 Daniel A. Pereira - Marcos Cronológícos da Cidade Velha
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