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Wednesday, April 29, 2009

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Cabo Verde


Cultura

A cultura do povo caboverdeano reflecte a simbiose de cinco séculos de convivência de influências europeias e africanas, estando a interligação destas presente na diversas manifestações da cultura popular.

Traços culturais de grande interesse estão presentes na vida quotidiana da população, no fabrico de objectos de uso diário e nos hábitos associado à sobrevivência e actividades de lazer. Os objectos tradicionais, produzidos para uso comum e muito procurados pelos visitantes, traduzem uma vivência dificultada pela seca, factor omnipresente no dia-a-dia dos habitantes.

Os resultados de cestaria, em caniço, são muito diversificados, com objectos variados para uso diário ou para decoração. O artesanato feito em casca de coco tem também objectos decorativos e utilitários de grande interesse. A tecelagem, cujos produtos mereceram honras de moedas durante o século XVIII, é de algodão, com as cores tradicionais branco e azul índigo, sendo também muito apreciados os trabalhos de tapeçaria produzidos por Bela Duarte, dailha de S. Vicente.

O quotidiano da população é melhorado por uma gastronomia caracterizada por combinações diversificadas dos produtos de alimentação popular - milho, feijão, batata doce, mandioca, peixes e carnes diversas - enriquecidos pelos sabores dos licores e doces tradicionais. O prato de referência é a cachupa, muito consumida por toda a população, com ingredientes diversos consoante a hora do dia e o poder de compra do consumidor.


A música é uma manifestação cultural por excelência presente na vida das comunidades, parte integrante d
as celebrações familiares e sociais e das festividades celebradas em cada ilha, em honra dos santos padroeiros, como, por exemplo, o San Djon, com tambores percutidos até à exaustão, por ocasião da festa do solstício (24 de Junho). Instrumentos muito utilizados são os de corda, a exemplo do violão, viola, cavaquinho e violino, não faltando os tambores e outros instrumentos de percussão.

A música tem expressões muito próprias: morna, a música de sodade dos caboverdeanos espalhados pelo mundo, do destino de quiem quer ficar e ter de partir; coladeira e funáná, canções de humor, alegria e sensualismo; tabanca, da ilha de Santiago, repetitiva, com búzios soprados, tambores e cornetas, executada por mulheres que tocam percussão em panos, bolsas e garrafas de plástico, batendo nas coxas, nas pernas , num rítmo muito africano; pilão da ilha do Fogo, nas noites que antecedem as Festas da Bandeira, quando as mulheres pilam o milho para preparar o cherem, ao som de cantigas, rufar de tambores e matraquear de tchabeta na borda dos pilões; finaçon, de origem africana, que remonta à época da escravatura; músicas importadas da Europa - mazurca, contradança, canto da divina e, mais recentemente, a nova música, com influências múltiplas do exterior. Entre os músicos caboverdeanos mais conhecidos destacam-se Cesária Évora, Titina, Dany Silva, Tito Paris, Tubarões, Finaçon, Bulimundo entre outros.

A literatura caboverdeana é das mais ricas da África lusófona. O movimento literário mais importante foi iniciado em 1936, por intelectuais e escritores, ex-alunos do Seminário de S. Nicolau, em torno da revista literária Claridade, e caracterizou-se pela oposição à ditadura do poder colonial e por uma revolução estética de ruptura com os modelos europeus. Entre os representantes deste movimento destacam-se Baltasar Lopes da Silva, autor de Chiquinho, a maior novela de Cabo Verde; Manuel Lopes, com os romances "Chuva Brava" e "Os Flagelados do Vento Leste"; autores como José Barbosa, Felis Monteiro, António França, poeta, e Germano Almeida, autor de "O Meu Poeta e Testamento do Senhor Napumoceno".

A língua crioula é representada poe Ana Procópio, poetisa do improviso nas festas populares da sua ilha do Fogo; Eugénio Tavares, da ilha Brava, Mário Barbosa, do Fogo, B. Leza e Manuel de Novas, de S. Vicente, autores célebres de mornas e coladeiras, Sérgio Frusoni, que traduziu em crioulo o Novo Testamento para os Protestantes Nazarenos.

A pintura tem dignos reprentantes em Manuel Figueira, Tchalé Figueira, Barbieo Barros-Gizzi, Leão Lopes, Maria-Luisa Queirós, Maria Alice Fernandes, Kiki Lima, David Levy Lima e Abraão Lima.

A cerâmica tradicional é de barro vermelho, sem decoração nem vidrado. Alguns artistas nacionais contemporâneas, com destaque para Maria de Lurdes Vieira, têm feito pesquisa nesta actividade, introduzindo cores e novas técnicas, recriando objectos e formas. Estes trabalhos podem ser apreciados em algumas lojas especializadas (Nativa, na Praia, Alternativa e centro Nacional de Artesanato, em S. Vicente) ou em exposições e feiras internacionais.

É de notar que parte dos artistas e intelectuais caboverdianos vivem e trabalham nas diversas comunidades espalhadas pelo mundo. Em Lisboa, encontra-se a maior concentração de quadros técnicos e artistas, com uma forte ligação ao país de origem. O dinamismo dos caboverdianos residentes no estrangeiro teve um ponto alto no I congresso de Quadros Caboverdianos no exterior, que se realizou em 29 - 30 de Junho e 1 de Julho de 1994, em Lisboa.

O cinema tem também alguma tradição a nível a nivel de amadores e começa a dar os primeiros passos a nível da longa metragem pela mão de Leão Lopes, ex-ministro da Cultura e da Comunicação, com a rodagem de "O Ilhéu de Contenda" baseada na obra homónima do escritor Teixeira de Sousa. A rodagem de outra longa metragem está já em preparação, com base na obra "Testamento do Senhor Napumocento" do escritor Germano Almeida.

 

 

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